Sinceramente, costumo superestimar
achava que o primeiro beijo seria um transe
sinos, luzes, cérebro escorrendo pela espinha
foi um beijo. Respiração, língua, molhado, bom
Beijar na chuva, outra desilusão
gosto amargo da água escorrendo nas árvores
antes de chegar à minha boca
Já no sexo cheguei cético
Passei no vestibular, um ano de esforço
e não senti nada, tirei a carta, nada, somente
a obrigação. Coloco um sorriso no rosto
para não causar espanto em quem parabeniza
minhas metas sempre foram tão distantes
que pequenas coisas não causam a menor comoção
Quando aquelas se dissolvem é que se fica sem saber
talvez, seja esse o problema, ter buscado demais
em que me guiar, o certo e o errado,
planejar como tudo seria antes do apito soar
talvez por isso, minha antipatia com qualquer um
que ache declare que a vida é boa demais
talvez por isso, toda segunda de terapia consista
em queixas de que a vida não me é suficiente. Não
que eu precise de mais do que uma vida, mas sim
de que nela seja necessário mais de mim
Meu objetivo sempre foi fugir do finito, só
os meio mudaram. Fama e dinheiro
cortados rapidamente; política, logo em seguida;
restou a ciência e a escrita.
Só até descobrir como o conhecimento é incerto
os autores que você estudo e adora
apenas se encaixam em um pacote datado
logo mudam, visto que tudo é perene
Meu projeto de imortalidade esteve sempre fadado ao óbito
Não que meu problema seja com a morte
pois é com os outros continuarem a viver sem mim
Finita la comedia, resta saber como reconhecer
aceitar a própria mediocridade
Ou, então, me aponte o que valha a pena ser sonhado
13 julho, 2010 às 00:59
“mas sim/de que nela seja necessário mais de mim”
“Ou, então, me aponte o que valha a pena ser sonhado”
Gostei.
Tão você!