De nada adianta

27 dezembro, 2010

As marcas sem piedade

nos fazem lembrar

de algo que talvez

não devêssemos esquecer

e conhecer a vida

na teoria

não é suficiente

para escapar à tragédia

De nada adianta

saber que o imponderável nos persegue

de nada adianta

saber que tudo tem um fim estipulado

que já aconteceu

em um futuro simultâneo

de que é prudente se conformar

Há experiências que a racionalidade

não é capaz de alcançar

E segue-se de luto em luto

a juventude que chegou ao fim

a garota que me deixou

a casa que nasci, cresci

um pássaro que se pôs

a voar

Mortes irreais

daquilo que continuou

a existir sem mim

deixando-me ainda

com meu destino incerto

ponderação hesitante

do meu medo aberto

Fico pensando

se não há nada de mais natural

do que o tempo imaginário

levar consigo a criança

do que uma garota abandonar

o que não faz mais sentido

do que um pássaro bater

as suas asas

 

Contudo

de nada me adianta pensar

 

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