As marcas sem piedade
nos fazem lembrar
de algo que talvez
não devêssemos esquecer
e conhecer a vida
na teoria
não é suficiente
para escapar à tragédia
De nada adianta
saber que o imponderável nos persegue
de nada adianta
saber que tudo tem um fim estipulado
que já aconteceu
em um futuro simultâneo
de que é prudente se conformar
Há experiências que a racionalidade
não é capaz de alcançar
E segue-se de luto em luto
a juventude que chegou ao fim
a garota que me deixou
a casa que nasci, cresci
um pássaro que se pôs
a voar
Mortes irreais
daquilo que continuou
a existir sem mim
deixando-me ainda
com meu destino incerto
ponderação hesitante
do meu medo aberto
Fico pensando
se não há nada de mais natural
do que o tempo imaginário
levar consigo a criança
do que uma garota abandonar
o que não faz mais sentido
do que um pássaro bater
as suas asas
Contudo
de nada me adianta pensar